Pássaro
da Noite,de
José Antônio de Souza
Direção: Marcus Alvisi
Elenco
Luana Piovani
Luana Piovani, que nos últimos anos se dedicou ao teatro infantil (“Alice no País da Maravilha” - 2003, e “Pequeno Príncipe” - 2006) e ao cinema (acaba de filmar os longas-metragens “Insônia”, de Beto Souza; “A Mulher Invisível”, de Claudio Torres; e “Família Vende Tudo”, de Allan Fresnot; todos sem data de lançamento), volta aos palcos no monólogo Pássaro da Noite, de José Antônio de Souza, com direção de Marcus Alvisi. O espetáculo ficará em cartaz no Teatro do Leblon, na Sala Marília Pêra, de 24 de outubro a 21 de dezembro, sextas e sábados, às 23h30.
Pássaro da Noite conta a história de uma mulher numa situação de solidão absoluta, no fim de uma noite de festa. Em torno dela uma noite sem fim e sem fatos, ao não lhe dar resposta para o “Onde estou?”, acaba forçando-a a indagar, com urgência nunca experimentada antes, aquilo que no trivial do dia-a-dia quase sempre leva as respostas imediatas - o “Quem sou?”
A reflexão num humor cáustico a sustenta de pé. Sua bússola é o humor e nem ela mesma percebe estar manobrando-a e de alguma forma resistindo à tormenta.
Palavra do autor:
Certas noites de verão e certos fins de festa levam muitas vezes a um atalho perigoso: aquele que conduz ao vago ponto a partir do qual a volta não é mais possível. Quando descobrimos que já fomos longe demais e que é inútil qualquer tentativa de retorno - eis a solidão absoluta. A partir daí é o mergulho - e não importa se você sabe nadar. O risco de afogamento é igual para todos e só escapa do naufrágio quem descobre ou inventa em si mesmo a vocação de bússola. É a única tábua de salvação no meio da tormenta: a secreta bússola que habita as profundezas de todos nós, mas que só alguns conseguem extrair do instinto de sobrevivência e manobrar com perícia.
“Penso, sem ter certeza, que a bússola dessa mulher é o humor. É isso, parece que a sustenta de pé nesse lugar mais isolado do mundo. É isso que a faz atravessar a hora silenciosa sem ir a lugar nenhum e ao mesmo tempo manter-se em algum lugar. E será tão instintiva nela essa bússola do humor que nem ela mesma percebe estar manobrando-a, estar de alguma forma resistindo à tormenta por extraí-la de seu norte secreto. Penso que é isso, sem ter certeza, porque embora tenha escrito sobre ela, e oficialmente eu seja o “autor” da personagem, confesso que também me perdi com ela e por causa dela nisso de situá-la e situar-me, de saber onde estivemos nessa longa noite silenciosa depois de um fim de festa.” (José Antônio de Souza).
“Pássaro da Noite é um divisor de águas em minha vida e minha carreira. A solidão em cena, que gera tanto amadurecimento e maturidade.
Já estava na hora de vestir minhas asas” (Luana Piovani) .
Palavra do Diretor
Entre rimas e prosas, Zé Antonio de Souza, vai nos conduzindo a uma viagem através desta personagem enigmática, que se perdeu numa noite de sexta- feira em seus próprios fantasmas, seus abismos, e se apega às suas reminiscências buscando uma tábua de salvação. À procura de um mínimo sentido para sua vidinha, em mais uma sexta-feira, depois do expediente.
O Espetáculo
“Teatro é Poesia No Espaço”
Artaud
O encontro nu entre o texto, o ator e o espaço. O espaço também nu porém muito iluminado. Luz fixa vindo do chão. Parece que nada existe antes deste encontro. A poesia do teatro deve chegar com a entrada do ator em cena! Antes da luz elétrica os atores faziam aparições.
O ator é o principio, o meio, o fim nesta aventura que é revelar o texto teatral transformando-o em espetáculo.
Este conjunto de signos habitualmente usados reconstitui ao texto um contexto. Ao mesmo tempo orientação, canalização, filtragem de sentidos e abordagem.
Em O Pássaro da Noite os signos nascerão da confluência do espaço, do corpo da atriz e do texto. Neste aspecto o texto nunca será totalmente revelado, mas sim experenciado. Uma experiência em que teremos sempre algo para ser descoberto. Lendo Copeau encontro uma profunda sincronia com este trabalho:
“O texto é a matriz da realização cênica. A encenação deve emanar dele com a maior intimidade possível, estando entendido que o texto é portador de um sentido parcialmente velado, que ele provém de uma inspiração em primeiro grau, de um intento, de intenções mais ou menos implícitas. O encenador não passa, no fundo, de um profissional de leitura que dispõe de instrumentos originais graças aos quais se torna capaz de desdobrar o texto (ou seja, de abrir e exibir suas dobras). A simplicidade dos meios, o despojamento, os recursos da iluminação, os acessórios sugestivos ou simbólicos, e, sobretudo, a ênfase principal colocada na representação do ator, tudo isso deve abrir ao espectador acesso a uma espécie de segredo, de faceta oculta da obra. O palco torna-se o local de uma exalação do texto (no mesmo sentido em que se fala de um perfume que exala no ar...).
Luana é obstinada e nunca!, jamais!, irá pelo caminho mais fácil. Isto é admirável em uma atriz que poderia estar fazendo todas as novelas, todos os seriados. Porém, sua intuição de verdadeira atriz lhe diz que um trabalho como esse ficará para sempre. Enquanto outros, talvez, mais rentáveis, sejam na mesma medida, mais efêmeros. Luana é a expressão máxima de alguém, em busca do significado, do valor, que é estar sobre um tablado de madeira com toda dignidade e esmero, dando o melhor de si na dimensão suprema e mais refinada.
Trabalhadora incansável, com um amor desmedido pelo teatro que comove a todos à sua volta. É exatamente isso que faz dela, dia a dia, uma atriz cada vez mais preparada para as grandes personagens do teatro universal. Eurípides, Shakespeare, Molière, Tchekhov e tantos outros estão à sua espera.
Marcus Alvisi
FICHA TÉCNICA
Autor: José Antônio de Souza
Direção: Marcus Alvisi
Interpetração: Luana Piovani
Direção de movimentos e assistência de direção: Duda Maia
Cenários: Sérgio Marimba
Figurinos: Helena Araújo
Iluminação: Carlos Lafert
Trilha sonora: Marcus Alvisi
Design gráfico: Zé Mucinho
Fotos: Nana Morais
Produção Executiva: Ângela Garcia
Direção de Produção: Maria Siman
Realização: Luana Piovani e Primeira Página Produções
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