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Pulsões


  • 21 mai


  • admin

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Um comovente encontro entre bailarina, compositor e um violoncelo promovem uma reflexão sobre encontros criativos que se dão a partir do afeto. Num emaranhado de pulsões, duas vidas se tornam simbióticas e dependentes. Ela o ama mas não lembra de nada além disso. Só aquele homem a movimenta, intriga e impulsiona pras mais belas e instigantes criações coreográficas, e justamente por isso, também a leva ao desequilíbrio e ao surto. E por enquanto, é assim que ela consegue se expressar. A música o acompanha sempre, mesmo que só ele a escute. Como um tormento em sua cabeça aquilo também o aprisiona. Mas ELA ouve, ou pelo menos a percebe e sabe expressa-la com a dança. Isso o alivia mas o deixa dependente daquela mulher. Será dele o trauma primeiro? O amor aparece como principal ajuda à cura, ou pelo menos à sobrevivência. A peça pretende investigar esses extremos: o que é realidade e o que é imaginação, a explosão da potência criativa em oposição ao embotamento, pulsão de vida e pulsão de morte. E assim contaremos a história de um homem e uma mulher, um músico e uma bailarina, que se cuidam/curam através do amor que sentem pela dança, pela música, um pelo outro, por eles mesmos. Um tema delicado mas sempre pertinente: os limites entre arte e loucura

  • SÃO PAULO
    TEATRO VIRADALATA

    End: Rua Apinajés, 1387 – Perdizes – São Paulo – SP
    Tel : (11) 3868-2535
    Horário: Sábados – 20h e Domingo – 18h
    Ingressos: Sábados e domingos R$ 50,00
    Temporada: 31 de outubro de 2015 até 15 de novembro de 2015

  • Espetáculo: PULSÕES

    De Dib Carneiro Neto

    Direção: Kika Freire

    Elenco: Fernanda de Freitas e Cadu Favero

    Direção musical e Trilha sonora: Marco França

    Piano: João Bittencourt

    Violoncelo: Maria Clara Valle

    Iluminação: Fran Barros

    Cenários e Figurinos: Teca Fichinski

    Caracterização: Rose Verçosa

    Fotografia e Programação Visual: Victor Hugo  Cecatto

    Direção de Produção: Paula Salles

    Coordenação Geral: Maria Siman

    Produção Executiva: Joana D`Aguiar

    Realização: Primeira Página Produções Culturais

    Assessoria de Imprensa: Lu Nabuco Assessoria em Comunicação


  • Um maestro/compositor e uma bailarina/coreógrafa, dois personagens sinistros e ambíguos, convivem num espaço amplo e lúdico, alternando momentos de harmonia, integração, rejeição, estranhamento, alegria, contemplação, euforia, destemperos, descontroles, mas, sobretudo, acreditando no poder da arte, na cura pela criação. Esta peça para um casal de atores pretende unir teatro, dança e música para abordar um tema delicado e sempre muito pertinente: os limites entre arte e loucura. As interpretações do casal devem alternar alucinação, fantasia, sonho, brincadeiras de criança, delírio e insanidade, para que a plateia se confunda entre o que é realidade e o que é imaginação, entre o que é arte pura e o que já virou loucura, entre o que é mórbido e patológico e o que é vital e criativo – e, principalmente, entre o que é a vida e o que é morte. Criar para não morrer. Enlouquecer em nome da arte. Qual criador tem totalmente o controle sobre si e sobre sua criação? Como bem escreveu o filósofo Erasmo de Rotterdam em seu clássico “Elogio da Loucura”: “Nenhum mortal poderia suportar a velhice tristonha, se as misérias da humanidade não o obrigassem  a mim, a Loucura, a vir em seu socorro. Cabe a mim, a Loucura, dar ao velho o delírio que o faz disparatar. Mas atenção: é também esse afortunado delírio que afasta dele as inquietudes, as tristezas.” Por meio de um espaço cênico indefinido, pleno de elementos visuais de extrema força poética, e uma dramaturgia atemporal e nada linear, a ideia é que cada espectador se sinta estimulado a refletir sobre desejo e memória, presente e por vir, entre frescor/vida e previsibilidade/morte. Estariam os dois personagens mortos e eternizados em um paraíso criativo? Estariam vivos numa espécie de retiro artisticamente produtivo? Ou num hospício, pensando ser artistas? Ou seriam artistas, pensando estar no hospício? Ou estariam em uma real sala de ensaios de um espetáculo? Não há respostas fechadas, apenas uma constante celebração da poesia do universo lúdico da expressão corporal e musical. Sem se esquecer dos diálogos cortantes e poéticos de certo ritmo de “hora do recreio” ou de festa no quintal. Como disse certa vez a revolucionária psiquiatra brasileira Nise da Silveira, o essencial na relação com seres de almas atormentadas é “descobrir quais formas tomamos os conflitos e os intrincados e sofridos problemas que, decerto, se debatem no mundo interior desses indivíduos incompreendidos, frágeis, que se fecham temerosos diante de nós”. E arrematou: “Não se curem além da conta. Gente curada demais é gent chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas.” Conforme nos explica Michel Foucault, em sua “história da Loucura”, há um discurso comum entre o delírio de um louco e o sonho de um romântico: a busca por um lirismo do desejo e pela poesia do mundo. “Loucura e sonho”, diz Foucault, “são ao mesmo tempo o momento da extrema subjetividade e o da irônica objetividade, sem que haja contradição nenhuma nisso”. Segundo o estudioso, “a poesia do coração, na solidão final e exasperada de seu lurisismo, se revela, através de uma imediata reviravolta, com o canto primitivo das coisas. E o mundo, durante tanto tempo silencioso, face ao tumulto do corçaão, reencontra suas vozes. ” Seja como for, “Minha alma, desprotegida, vai agora flutuar livre, para viver no círculo mágico da noite profunda”. Dizemos versos de Herman Hesse, em Indo Dormir. ” Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?”, pergunta, por sua vez, o poeta Manuel Bandeira, em A Morte Absoluta.

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