Primeira Página | Queda

Queda


  • 15 jun


  • Primeira Página

bannerQUEDA estreou em abril de 2009, no Club Noir, centro da capital de São Paulo, à convite de Roberto Alvim e Juliana Galdino. Depois participou do Festival de Curitiba e do FITA – Festival Internacional de Teatro de Angra dos Reis, e realizou apresentações especiais no elevador de carga do Theatro São Pedro, em Porto Alegre, e nos escombros da Sala-teatro Afonso Arinos, em Petrópolis – RJ. Enfim, em 2014, 5 anos depois do primeiro salto, pousa no Rio de Janeiro, chão aonde foi criado, e cumpre temporada na Sede das Cias, no bairro da Lapa.

 

 

 

 

 

 

 

  • Texto e Atuação: Guilherme Siman

    Direção: Fabiano de Freitas

    Traquitanas: Arnaldo Fabbri e Gerson Porto

    Figurino: Esmê de Souza

    Iluminação: Luiz Fernando Vaz Jr.

    Projeto gráfico: Evee Ávila

    Produção executiva: Bruna Ayres (2009) Bruno Mattos (2014)

    Assistência de produção: Mauricio Lima

    Direção de produção: Maria Siman

    Realização: Teatro de Extremos e Primeira Página Produções Culturais

  • Um homem comum, em algum lugar intermediário na cadeia alimentar, comete um crime bárbaro demais para ser julgado. Escapa para um lugar que a justiça dos homens não alcança, a mais terrível prisão, poço sem fundo de suas mentiras e vaidades, corredor da morte particular. Ali pode percorrer seu caminho, sem holofotes, e achar sua penitência, sem burocracias. Ali, só parece existir o que restou dele, mas há também uma sombra. Uma sombra imponente, rigorosa e correta; o homem armado, de bigode e gravata. O condenado procura reconhecê-lo e se justificar. Reconhecê-lo para tentar justificar-se, reconhecê-lo para quem sabe ser reconhecido, quem sabe readmitido entre a espécie humana. Tarefa inglória, posto que é muito fácil para um homem tornar-se um monstro, basta “um único salto”, como diria o condenado, mas um monstro não pode nem deve tentar voltar a ser homem, ao menos não aos olhos do homem de bigode. Para tentar convencê-lo, para tentar conquistar o direito de viver no seu próprio inferno, o condenado terá que percorrer oito estágios, cravar oito estacas de ferro, beber oito goles do cálice, do abismo ao purgatório.

  • “Há nesta Queda qualquer coisa de homem-bomba, qualquer coisa dinamite oculta no estômago para explodir templos e o World Trade Center. Uma poesia de entranhas, de músculos, do suor nervoso da inteligência. Transmite o real, transpira a realidade assim como ‘sem lenço sem documento’, a canção de Caetano, reproduzia a complexidade daqueles anos. Tem porrada e tem doçura, o texto. Tem mordidas na face e tem apelos ao carinho de mãos. Essa leveza invisível da possível borboleta que bate ou não bate asas na paisagem ruidosa dos acontecimentos. Rascante neste verbo, sinuoso no seguinte, tem um desenho de bailarino na escrita, tem um contorno de Jack O Estripador, corta dançando, decepa tocando flauta, os desatinos não excluem a lógica, a lógica não exila o lúdico, achei uma ordenação precisa no movimento de rotação e translação de Queda.”

    José Antônio de Souza

  • Queda vem discutir sobre a inadequação do ser humano. A incapacidade de lidar com o outro e consigo, a intolerancia. Desta vez, a intolerância não está ligada ao fraco, não diz respeito ao excluído, trata-se da intolerância para o incluído, o inteligente, o bem-sucedido, o algoz. Não o algoz rico, poderoso, que usa da sua influência para atingir seus objetivos, mas o homem medíocre, aquele sem imunidades, o homem que, contrariando os fundamentos da sua própria criação, joga fora a própria cria.

    Este homem pede para si um julgamento. Um julgamento em que ele mesmo acredite. Um julgamento distante das farsas das manchetes de jornal e dos indefectíveis (e incompreensíveis) clamores por justiça. O que vem a ser essa justiça clamada pelo povo? Qual é a punição adequada? Na Queda, o réu busca saber qual é a punição adequada dentro de seus próprios parâmetros. O réu se declara culpado assim que tem consciência da hediondez do seu crime.

    “Não, não sou inocente. Mas ninguém é”. O crime compartilhado no inconsciente perturbado por gritos e soluços infantis,”um crime passível”. Essa é a teoria do nosso protagonista. Todos arremessam. É este o pecado original: o desejo de arremessar as frustrações através de uma janela.

    A inspiração no fato real vem, antes de tudo, da alegoria. A alegoria do arremesso. Jogar fora, com toda a força que os músculos possam conceder. O enorme esforço de desistir. O que pode ser considerado um direito, quando não se trata da vida de um outro ser humano. Ainda mais se…