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Reunificação


  • 14 mar


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PaginaReunificacao-A reunificação das duas Coreias, de Joël Pommerat (autor homenageado na Mostra Internacional de Teatro de SP – 2016, e que abriu o evento com a peça Cinderela), tem direção de João Fonseca e produção de Maria Siman, da Primeira Página Produções. O texto mergulha no mundo onírico e controverso das relações amorosas. Os atores Leticia Isnard, Bianca Byington, Solange Badim, Marcelo Valle, Gustavo Machado, Verônica Debom e Reiner Tenente se revezam em 47 diferentes personagens protagonizando as 18 histórias que mostram o que há de mais cômico, trágico e dramático nas relações afetivas.

Apesar de o título remeter a questões políticas, A reunificação das duas Coreias aborda a temática do amor em suas diversas formas e manifestações. O título é uma licença poética extraída da fala de uma das personagens que explica à mulher sem memória como os dois se amavam quando se conheceram: “Foi como se a Coreia do Sul e a Coreia do Norte abrissem suas fronteiras e se reunificassem e que as pessoas que tinham sido impedidas de se ver durante anos se reencontrassem”.

A reunificação das duas Coreias foi apresentada à produtora Maria Siman (Primeira Página Produções), em 2014, por uma amiga francesa que enviou o texto com um bilhete que dizia “você vai amar esta peça”. Como previsto, Maria se encantou e iniciou as negociações para a compra dos direitos.

Em fevereiro de 2015 o espetáculo voltou aos palcos de Paris e ela teve a oportunidade de assistir à montagem original, dirigida por Pommerat e encenada por sua companhia, Louis Brouillard. Foi quando finalizou as negociações e assumiu a produção, convidando o diretor João Fonseca, com quem já trabalhara em outros espetáculos (entre os quais O Grande Circo Místico e Maria do Caritó), para liderar a equipe: “Maria me chamou e eu adorei a peça, achei que era tudo que eu queria fazer nesse momento, essa coisa do amor e desamor. Me encantou a possibilidade de fazer pela primeira vez um trabalho com cenas fragmentadas. Foi um presente”, declara o diretor.

 

“Falar de amor em suas diversas possibilidades é urgente e necessário. Através da brilhante dramaturgia de Pommerat fazemos um passeio pelas diversas formas em que o amor, o afeto e a falta deles se manifestam”, declara a produtora Maria Siman.

 

A reunificação das duas Coreias é um marco na carreira do autor. Acostumado a escrever espetáculos mais focados em questões socioeconômicas e menos sentimentais, Pommerat se rende aos relacionamentos humanos. Como o autor de teatro diz em Galea e Pommerat, “Só temos tempo de captar um pouco do real quando o fabricamos poeticamente” (2005, p. 59).

 Joël Pommerat escapa de todas as armadilhas e brinca com as convenções para impor um universo singular, entre naturalismo e onirismo, para falar sobre o amor.  “O espetáculo encanta, emociona e surpreende o público”, diz Maria Siman. As 18 cenas curtas que compõem o texto não estão ligadas entre si, a não ser pelo tema Amor.

A peça é fragmentada, com cenas que necessariamente não se fecham, não são continuações, mas se completam. Fala de amor falando do desamor, sempre de maneira inusitada e surpreendente. Como define João Fonseca, “todas as cenas têm nomes emblemáticos – Divórcio, Separação, Casamento. Bom frisar que o diretor evita o lugar comum, o clichê. A forma como aparecem as discussões e a questão do amor é sempre inusitada. Não é porque está na moda, mas eu acho tão necessário e tão bacana falar desse encontro e reencontro”, diz João.

Para o elenco, Maria Siman e João Fonseca optaram por atores mais maduros, que já tivessem trabalhado com o diretor: “Quando entrei no projeto, já havia a Bianca, com quem eu nunca tinha trabalhado e de quem sempre fui fã! Já tinha dirigido a Solange, o Marcelo, Gustavo, Reiner (que também assina a assistência de direção) e, olhando o texto, achei que era a cara de cada um deles. É uma peça que precisa de excelentes intérpretes e temos sete maravilhosos atores”.

Segundo João, o critério de seleção de elenco priorizou profissionais mais maduros, com exceção da talentosa caçula Veronica Debom, e com espírito de companhia. “Porque a peça foi escrita para e em conjunto com a companhia de teatro de Pommerat. E esses atores com um longo histórico de teatro são fundamentais. Na temporada de São Paulo ganhamos a maravilhosa Leticia Isnard”, conta o diretor.

A versatilidade também faz parte das escolhas de João, que costuma dirigir obras muito diferentes entre si, desde comédias e musicais até clássicos e tragédias. “Procuro sempre por obras inéditas e especialmente brasileiras. Pomerrat traz ineditismo e o fato de misturar vários gêneros teatrais”, complementa.

 

Luz e figurino

Tentando não descaracterizar uma das marcas de Pommerat, que é a iluminação aureolada, João Fonseca, ao lado do designer de luz Renato Machado, trabalha com um clima cinematográfico, mágico, porém possibilitando a visibilidade das feições do elenco. “Procurei um aspecto cinematográfico, mágico, que acho que os espetáculos do Pommerat possuem. Para atingir os climas surreais propostos pelo autor optei por usar um desenho de luz menos sombreado e mais solar”.

O iluminador Renato Machado complementa: “Trabalhei a luz com uma base que se mantém por baixo dos recortes, permitindo uma visibilidade maior da cena que somente silhuetas. Nessa base talvez faça uso de laterais forçadas para manter uma luz contrastada e não chapada, dando nuance à cena, mesmo quando não houver os recortes”.

O figurino composto por Antônio Guedes segue a linha minimalista: “Não costumo ser minimalista nas minhas criações, o que me animou por ser um desafio. São 47 personagens, divididos entre sete atores e as trocas são rápidas. Então criei um sistema de roupas base minimalistas, neutras, mas também elegantes, que recebem as peças de figurino que pertencem aos personagens”.

 

A reunificação das duas Coreias é o segundo espetáculo do autor montado por brasileiros.  A primeira companhia a montar uma obra de Joël foi A Cia Brasileira de Teatro, em 2012, com Esta Criança, que teve participação de Renata Sorrah e direção de Márcio Abreu. João assistiu a montagem e conta que se sentiu muito tocado pela dramaturgia original e inteligente do autor.

Nos dias de hoje, Joël Pommerat continua sua exigente busca artística sobre as relações humanas, sobre o existencial, reinventando sem cessar. Isto proporciona uma escrita sensível, uma arte da percepção que revela a intensidade do comum. O teatro de Joël tem um grande teatro que clareia sobre a dificuldade de amar e prova, mais uma vez, o talento inegável de um dos maiores autores e diretores atuais.

  • Texto: Jöel Pommerat

    Tradução: Beatriz Ittah

    Direção: João Fonseca 

    Assistentes de Direção: Reiner Tenente e Pedro Pedruzzi

    Com: Leticia Isnard, Bianca Byington, Solange Badim, Verônica Debom, Marcelo Valle, Gustavo Machado e Reiner Tenente

    Cenário: Nello Marrese 

    Figurinos: Antônio Guedes

    Iluminação: Renato Machado

    Direção Musical: Leandro Castilho

    Direção de Movimento: Alex Neoral 

    Visagismo: Diego Nardes

    Design e Fotografia: Victor Hugo Cecatto 

    Assessoria de Imprensa:   Arte Plural – Fernanda Teixeira

    Mídias Sociais:  Leo Ladeira

    Registro Audiovisual: Dudu Chamon

    Confecção de Cenário: André Salles

    Costura de Cenário: Rosângela Lapas

    Pintura de Arte: Naira Santanna

    Ilustrações de Cenário: Camila Schindler

    Diretor de Palco: Raoni Felipe

    Camareira: Naná Nascimento

    Operador de Luz:  Juliano Frare

    Operador de Som: Fabio Rosa

    Costura de Figurinos: Adriano Liver

    Assistente de Figurino: Luz de Lucena

    Assistente de Cenografia: Maria Estephania

    Produção Executiva e Administração: Ana Lelis 

    Assistente de Produção: Clarice Coelho 

     

    Equipe Primeira Página Produções

    Assistente de Projeto: Fernanda Silva 

    Gerência Financeira: Mônica  Senna

    Assistente de Produção: Gustavo Macedo

     

    Direção de Produção: Maria Siman e Ana Lelis 

    Realização: Primeira Página Produções

     

  • Porto Seguro: http://www.portoseguro.com.br/

  • REUNIFICAÇÃO (la reunification des deux Corées)

    Texto premiado de Joël Pommerat e inédito no Brasil será protagonizado por Louise Cardoso, Bianca Byington, Solange Badim, Marcelo Valle, Gustavo Machado, Verônica Debom e Guilherme Siman. uma criação colaborativa capitaneada pelo diretor João Fonseca para o texto composto por 20 histórias curtas, envolvendo os mais variados tipos de amantes, quando se vêem frente a frente com a questão do amor em suas vidas.

     

    20 HISTÓRIAS DE AMOR

    Em 20 histórias que atravessam as mais diversas e intensas formas de amar, o francês Joël Pommerat conduz uma galeria de 51 personagens formando um mosaico que tem no amor o ponto em comum. são contos curtos que trazem embutido em seu núcleo a fórmula emocional da qual nenhum ser humano escapa, já que cada um tem sua própria relação com o amor. seja na concretização, na ausência, na utopia, na saudade, na vontade, na amizade, na ousadia, na forma do riso ou da tristeza, da maravilha ou do estranhamento, nas mais diferentes formas em que ele, o amor, se manifesta.

     

    AMOR

    O amor que leva ao sofrimento.

    Que cura o sofrimento.

    Que não tem sofrimento e no entanto, não basta.

    O amor na forma de uma possível sordidez que não pode ser comprovada.

    O amor na forma de ressurreições, de pessoas e de ideias.

    O amor que não se compreende o amor pelo filho que não se quer perder. o amor que não se esquece.

    O que não existe mais.

    O que talvez nunca tenha existido o amor que se inventa.

    São infinitas as possibilidades de investigação do tema, mas as 20 escolhas de Pommerat constroem uma narrativa multi-gênero que nos conduz num árduo caminhar até um pico rasgante de belo, seguido de um vertiginoso despencar de volta para a angústia.

    O misto de leveza e peso, do cômico e do trágico, e a imprevisibilidade do que virá a seguir transforma a singela proposta de histórias curtas num verdadeiro universo cheio de possibilidades pela amplidão de suas emoções.

     

    SOBRE A MONTAGEM BRASILEIRA

    A cena contemporânea francesa, e europeia ainda dialoga pouco com o teatro brasileiro atual. os talentos surgidos do outro lado do atlântico tendem a demorar a chegar aqui comprometendo o frescor da experiência artística para o espectador brasileiro de hoje. reuniFiCaçÃo é um exemplo de texto inédito nos palcos brasileiros, tendo sido grande sucesso nos palcos franceses ainda este ano, arrebatando o publico e crítica e vencendo vários Prêmios.

    O rio de Janeiro, receberá a trupe de atores brasileiros que se formou para mostrar um primoroso texto que apresentará ao público carioca o que há de mais cômico, trágico e dramático no amor em 20 histórias envolvendo 51 personagens. um universo do qual nenhum espectador escapa.