Primeira Página | Sobre
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SOBRE


  • QUEM SOMOS

     Em 2015 a Primeira Página Produções Culturais completa dezoito anos de atividade e alcança o que reconhecemos como “maioridade”, se tratasse de uma pessoa. E esta é mais uma desculpa ou estímulo para sentirmos que é chegada a hora de pendurar a mochila nas costas e “cair no mundo”. Menos por mera aventura do que por clareza de objetivo. A favor do vento, com lenço e documento. Seguindo o caminho da leveza, da delicadeza e do cuidado, como sempre, mas sem deixar de lado a ousadia e a urgência do desbravar. Alicerçada em sua tradição, fiel a sua identidade, e sem medo de renovar, recriar, adaptar, a Primeira Página novamente se redobra.

  • O QUE QUEREMOS

    Na arte, mais importante que a tradição sempre foi a invenção. A partir de 2015, a Primeira Página, que se consolidou nas parcerias com artistas idealizadores, dará prioridade aos seus vôos próprios. Estes dezoito anos recém-completos, este sentimento de maturidade, clama aos nossos próprios projetos de vida e de arte, nossas paixões originais, concebidas e desenvolvidas em nossa própria casa. Abrindo novos caminhos para eternos parceiros. As dezenas, centenas de artistas e técnicos que foram cativados pela excelência profissional e competência executiva da PP ao longo destas quase duas décadas, agora são seduzidos pela beleza de nossos sonhos.

  • ONDE ESTAMOS

    Há quem diga que o que reconhecemos como “maturidade” sustenta-se em um tripé: experiência, serenidade e destemor. Uma balança delicada, pois o desmesurado destemor pode descambar para a impulsividade e a arrogância, ao que o muito experiente pode se tornar um prepotente acomodado, e a excessiva serenidade pode despencar na indolência e na indiferença. Sendo assim, a chamada maturidade, tanto da pessoa quanto da empreitada, se revelaria verdadeiramente num fulgor tranquilo, num ensinamento humilde, numa potência sutil.

  • NOSSOS NOVOS VÔOS

    Já (re)começamos com dois projetos originais da casa: grandiosos e complementares, representativos da nossa vasta gama de interesses e da versatilidade do nosso leque. Um é um drama amargamente cômico; o outro, uma comédia acidamente dramática. Um é essencialmente feminino; o outro, masculino. Um prima pela sua qualidade visceral; o outro, pela qualidade racional. Um tem proporções épicas, cinematográficas, imprevisíveis; o outro, mais intimista, desvela-se numa unidade de tempo e espaço acolhedora. Ambos tratam da incomunicabilidade que açoita nosso século. Ambas as dramaturgias são contemporâneas, inéditas no Brasil. Ambas são obras de arte ambiciosas, profundas, desafiadoras, vigorosas, hilariantes, acessíveis, populares.

    – Um é AGOSTO, de Tracy Letts, novo clássico do Teatro Mundial, recentemente adaptado para o cinema, que desafia rótulos: cômico, trágico, mordaz, melancólico, comovente e catastrófico. Um drama familiar que receberia, decerto, a aprovação de Anton Tcheckov. Com elenco encabeçado por Vera Holtz e Camila Morgado, duas atrizes seminais de duas gerações distintas, e a direção sempre inventiva e inédita da internacional Christiane Jatahi, a PP mais uma vez levantará uma encenação de marcar época. – O outro é NOSSAS MULHERES, de Éric Assouz, recentemente agraciado com o Prêmio Moliére de Melhor Autor Francês Vivo. “O quão pouco três homens podem se conhecer em trinta anos de amizade?”: esta seria, talvez, a maior questão proposta por este texto afiado, feérico, que passeia pela comédia de costumes, pelo drama existencial e tem até suas pitadas de thriller. Um exemplo perfeito da força e dinâmica da dramaturgia francesa atual. Um ensaio incisivo sobre a ética, a amizade, e o desafio de encontrar os limites entre as duas coisas. Um verdadeiro jogo de cartas (marcadas?) entre os brilhantes Marcos Palmeira, Domingos Montagner e Márcio Vito, tendo como “crupiê” ninguém menos que Victor Garcia Peralta, diretor renomado pelo requinte no trabalho com os atores, a matéria-prima essencial do Teatro, afinal.

  • ONDE A GENTE NÃO SE DESGRUDA

    Mas como, como deixar de lado as “pratas da casa”? Isso a gente não consegue: somos apegados, sempre seremos. Em 2015, INCÊNDIOS, obra-prima do diretor Aderbal Freire-filho e da atriz Marieta Severo, finaliza (?) sua arrasadora jornada com uma temporada popular no tradicional Carlos Gomes, firmando o compromisso da PP na formação de público. O eterno ENSINA-ME A VIVER de João Falcão também retorna, com temporadas no Rio, São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis, e outras cidades que ainda virão, pra que todo mundo que ainda não viu possa ver o esplendor de Glória Menezes em seu auge. DOIDAS E SANTAS, o pungente projeto pessoal de Cissa Guimarães, sucesso absoluto, se desdobra em nova turnê nacional, para deliciar o país com as intrigantes e hilárias questões saídas da mente da grande Martha Medeiros. TAMBÉM QUERIA TE DIZER, o retumbante solo de Emílio Orciollo Netto, também baseado na obra da escritora gaúcha, prossegue em sua ode ao ofício do ator. SEXO DROGAS E ROCK´N´ROLL, o urro revoltado de Eric Bogosian, traduzido com maestria por Bruno Mazzeo, é outro projeto longevo e cheio de som e fúria. A trupe de MARIA DO CARITÓ também volta a mambembar pelo país em 2015. Como não morrer de saudade daquele circo de alegrias? Da linda lona erguida pelo mágico João Fonseca? Da preciosa e impagável composição da lenda viva Lilia Cabral? Das poesias do bardo Newton Moreno? É simples: não morremos. Continuamos. Fim não é com a gente. Nosso negócio é seguir.

  • ONDE A GENTE SE DESDOBRA

    Como resistir as deliciosas propostas dos nossos queridos colegas de sempre? Como não salivar pela DIETA DO AMOR, de Marino Rocha, uma comédia de rasgar corações e estômagos? Como não prender a respiração com PULSÕES, esse impulso inclassificável das almas de Kika Freire, Dib Carneiro Neto, Fernanda de Freitas e Cadu Fávero? Como não empalidecer diante da obra imortal e apocalíptica de Samuel Beckett, DIAS FELIZES, com a singular Josie Antello no papel de Winnie, regida pela íntima batuta de Moacir Chaves? É simples: não resistimos. Faremos tudo isso acontecer. Porque devemos e porque podemos e porque queremos. Porque a gente dá um jeito de dar conta. Porque este é o nosso negócio.

  • ONDE A GENTE SE DESLUMBRA

    Ah! Se o dia tivesse mais horas, se precisássemos de menos sono, se fosse dada a cultura seu devido valor… faríamos simplesmente tudo que nos tocasse. “Querer não é poder”, disse o sábio, e esta é uma verdade a se pensar. Mas é também uma daquelas verdades que lutaremos contra, sempre. A nossa luta, a luta da Primeira Página, é para que todos os projetos que nos emocionam sejam levados a cabo. Mesmo que não seja por nós, nem tem como ser, afinal, não somos uma indústria. Se não dá, a gente tenta encaminhar pra gente que pensa parecido, e rezamos pra que seja tão parecido quanto a gente acha que pode ser, e viramos garrafas de vinho chorando as pitangas do nosso não poder. Confuso? Vida de artista é assim mesmo, paciência. É o que somos, é onde estamos. Querendo na medida do podendo, infelizmente ou felizmente. Evoé, aceitamos nossas graças com alegria, vamos que vamos, no que mais queremos em primeiro lugar, no que mais podemos em segundo. Vai dar certo. Já deu. Diante disso tudo, a única certeza é que, depois de tantas e tantas páginas desta história, continuamos com o mesmo vigor e brilho nos olhos da Primeira.